A ferida que o Arsenal escondeu
Bukayo Saka chegou a este Mundial com uma cicatriz que poucos viram: em março de 2026, sofreu uma lesão no tendão de Aquiles que ameaçou o seu verão. Jogou mesmo assim — foi decisivo para o Arsenal conquistar a Premier League —, mas desde então não voltou a completar 90 minutos mais do que uma vez.
Thomas Tuchel não tem ilusões sobre o estado do seu melhor extremo. Em declarações à imprensa antes do jogo com o RD Congo, o selecionador inglês foi claro: Saka «está a jogar a um alto nível, mas ainda não a 100%» e está a ser «gerido e protegido nos treinos». A Inglaterra vai ter Saka em campo — mas com que Saka?
Poupar para os quartos ou forçar agora?
A questão que divide os adeptos ingleses é simples: contra o RD Congo, uma equipa claramente inferior no papel, faz sentido dar minutos completos a Saka e arriscar uma recaída, ou é preferível poupar e ter um Saka fresco nos oitavos ou quartos?
Tuchel parece inclinar-se para a segunda opção. O extremo do Arsenal não jogou pela seleção desde novembro de 2025, o que torna este torneio o seu regresso após seis meses de ausência internacional — mais de meio ano que pode pesar em termos de ritmo competitivo ao mais alto nível.
O dilema tem precedentes: em 2022, a Inglaterra perdeu Saka nos penáltis do Mundial do Qatar — o jovem que fallhou o penálti decisivo tinha crescido imensamente desde então. Mas gerir uma lesão delicada em fase eliminatória é sempre uma apostas de risco.
Inglaterra tem soluções, mas nenhuma é Saka
Phil Foden pode ocupar o espaço de Saka no flanco direito se necessário. Anthony Gordon é outra opção. Mas nenhum reúne a combinação de velocidade, drible e remate que o rapaz de Greenford tem naturalmente.
Contra o RD Congo no Mercedes-Benz Stadium de Atlanta, a Inglaterra terá de equilibrar duas realidades: ganhar o jogo (onde é claramente favorita) e preservar o jogador que pode ser decisivo nos quartos de final. Harry Kane, com cinco golos no torneio e a perseguir a Bota de Ouro, vai fazer a diferença ofensiva — mas Saka é o fator X que as equipas mais fortes não conseguem marcar sem custo defensivo enorme.
Se o Aquiles aguentar, a Inglaterra tem um dos favoritos ao título. Se não aguentar, Tuchel vai desejar ter sido mais cauteloso.