A ausência que não é lesão
Em cada jogo de Portugal na fase de grupos, Rafael Leão entrou no banco de suplentes. Não por lesão, não por castigado — por escolha de Roberto Martinez. O selecionador nacional optou por João Félix (em grande forma no Al Nassr) e Pedro Neto para flanquear Cristiano Ronaldo no ataque, deixando o extremo do AC Milan como opção de impacto a partir do intervalo.
A decisão trouxe resultados: Portugal passou a fase de grupos sem perder, com seis golos marcados e apenas um sofrido. A equipa funciona. Mas a questão que se coloca antes do encontro com a Croácia é outra — e se a Europa sabe que Leão não começa, o que acontece quando ele entra?
O trunfo do banco
Contra o Usbequistão, foi Leão a fechar o marcador depois de entrar a substituir. A velocidade, a imprevisibilidade e a capacidade de resolver situações em isolamento são qualidades que nenhum outro jogador do plantel português tem da mesma forma. Martinez usa-o como arma de impacto: quando o adversário está cansado e a defesa está esticada, Leão é o pesadelo que já não conseguem aguentar.
A questão é se a Croácia vai estar suficientemente cansada para o deixar rasgá-la. Gvardiol, que regressou de fratura da tíbia para este torneio, é um dos melhores laterais esquerdos do mundo e vai ser o seu adversário direto se Leão entrar pelo flanco direito. O duelo vale um artigo por si só.
O que Martinez vai decidir
A imprensa portuguesa tem especulado se os 16 avos vão mudar o plano. Martinez é conhecido pela consistência — raramente muda o onze base sem razão clara. Pedro Neto tem sido sólido. João Félix criativo. A lógica diz que Leão volta ao banco.
Mas há um argumento que cresce: numa eliminatória de mata-mata frente a uma Croácia que sobreviveu à fase de grupos com Modrić em modo despedida e Gvardiol regressado de lesão grave, Portugal vai precisar de todos os trunfos disponíveis. E Leão, quando entra em alta velocidade num jogo já com espaços, é provavelmente o mais perigoso que a equipa tem.
Se o torneio correr mal para Portugal, a decisão de manter Leão no banco vai ser o tema de debate do verão. Se correr bem, Martinez vai sair reivindicado. É essa a aposta que o selecionador está a fazer — e cabe ao extremo do Milan provar, quando for chamado, que a espera valeu a pena.