O nome que nenhum adepto esquece
Há um apelido neste Mundial que carrega um peso impossível de ignorar: Zidane. Não é Zinedine — ele retirou-se em 2006, num cabeçada que ficou para sempre na memória coletiva do futebol. É Luca, o seu filho, que está no plantel da Argélia e pode ter minutos frente à Suíça no BC Place de Vancouver.
A história começa na identidade. Zinedine Zidane é filho de imigrantes argelinos e cresceu em Marselha a jogar à bola nos bairros populares. Optou por representar a França — a seleção com que ganhou o Mundial de 1998 e o Euro de 2000 —, tornando-se o maior jogador francês da história. Luca fez o caminho inverso: com ascendência argelina pelo pai e a opção elegível pela França ou pela Argélia, escolheu a bandeira do país de origem familiar.
Uma escolha de identidade
A decisão de Luca não é incomum neste Mundial. A FIFA registou um recorde histórico nesta edição: 289 jogadores representam países onde não nasceram, 23% do total dos participantes. A Argélia, em particular, tem construído a sua seleção em torno de uma nova geração de franco-argelinos — jogadores que cresceram em Paris, Lyon ou Marselha mas escolheram defender as cores dos pais.
O fenómeno dos bi-nacionais é um dos temas mais fascinantes deste torneio e a Argélia é um dos exemplos mais visíveis. Riyad Mahrez, o capitão com dois golos na fase de grupos, também tem raízes argelinas mas nasceu em França. Luca Zidane entra nessa linhagem — jovem, com o peso de um apelido histórico, numa competição que pode definir o que quer ser como futebolista.
O duelo com a Suíça
A Suíça que espera nos 16 avos não é adversária menor. Granit Xhaka, no seu quarto Mundial consecutivo, é o motor de tudo o que a equipa de Murat Yakin faz no meio-campo. Johan Manzambi foi o melhor marcador da Suíça na fase de grupos com três golos. A equipa é organizada, física e conhece bem o adversário — o selecionador Petkovic orientou a Suíça durante anos e sabe os pontos fracos do sistema.
Para a Argélia, o peso emocional é diferente. Mahrez quer provar que ainda tem Mundial. Luca Zidane quer mostrar que escolheu o caminho certo. E algures nesse cruzamento entre futebol, identidade e herança familiar, há uma história que vai muito além dos 90 minutos em Vancouver.
Se o filho de Zidane entrar em campo — mesmo que por cinco minutos —, será um dos momentos mais carregados de simbolismo desta edição histórica do Campeonato do Mundo.