49 golos, um Mundial, um recorde
Enner Valencia tem 36 anos e uma missão que parece saída de um conto de futebol. O capitão histórico do Equador chega ao encontro com o México no Estádio Azteca com 49 golos pela seleção nacional — a um único tento do recorde histórico dos 50 pela «Tri» equatoriana.
O Azteca, com capacidade para mais de 80 mil espetadores, é a casa do adversário. É a fortaleza que o México nunca perdeu num jogo mundialista em casa. É o palco mais hostil que Valencia podia encontrar para escrever o seu nome na história.
Por isso mesmo, o guião parece perfeito.
O capitão que o tempo não apaga
Valencia (Pachuca) não é o mesmo avançado explosivo que marcou três golos ao Brasil no Mundial de 2014 — um hat-trick que não contou porque foi anulado por fora de jogo em todos eles. Esse momento brutal ficou na memória coletiva do futebol sul-americano. A justiça poética chegou doze anos depois, quando o Equador confirmou presença nesta edição.
Com 36 anos, o papel de Valencia evoluiu. Moises Caicedo (Chelsea) assume hoje a braçadeira no terreno e controla o meio-campo. Kevin Rodriguez, revelação deste torneio, pode pressionar o lugar de Valencia no onze inicial — e se entrar a meio, pode reduzir os minutos disponíveis para o veterano chegar ao recorde.
O selecionador equatoriano não garantiu que Valencia vai começar. Mas seria improvável que o capitão histórico ficasse fora de um jogo desta magnitude, num estádio deste tamanho, com este marco ao alcance.
O que está em jogo além dos números
O México chega à eliminatória como a melhor defesa entre as seleções anfitriãs: três jogos, zero golos sofridos, desempenho impecável de Javier Aguirre. A equipa de casa tem o fator estádio, o fator adeptos, o fator pressão histórica — o México num Mundial em casa é sempre uma entidade diferente.
Mas o Equador surpreendeu a Alemanha (2-1) e chegou a este ponto com confiança renovada. Se Valencia conseguir o golo histórico, a narrativa torna-se irresistível: o veterano de 36 anos a marcar no Azteca, ao adversário que nunca perde ali, para se tornar o maior goleador de sempre da seleção equatoriana.
É o tipo de história que o futebol escreve uma vez por geração — e o Equador vai a jogo disposto a protagonizá-la.