O mais importante ficou em casa

A Áustria vai enfrentar a Espanha sem aquele que era considerado o seu coração criativo. Christoph Baumgartner, médio ofensivo do RB Leipzig, sofreu uma rotura do tendão do músculo recto femoral perto da inserção na anca durante um treino em junho — lesão grave que o afasta da competição por vários meses e elimina qualquer esperança de participação no Mundial 2026.

A notícia foi confirmada pela Federação Austríaca sem data de regresso prevista. Para a equipa de Ralf Rangnick, é o pior cenário possível: Baumgartner era o pivô criativo entre o meio-campo e o ataque, o jogador que transformava posse em perigo real.

Sabitzer assume o número 10

Com Baumgartner ausente, Marcel Sabitzer (Borussia Dortmund) herda o papel central no meio-campo ofensivo austríaco. E faz-o num momento especial: o encontro com a Espanha no SoFi Stadium vai ser o seu 100.º cap pela seleção nacional — uma marca histórica para o veterano de 32 anos.

Sabitzer não é Baumgartner. É mais físico, mais combativo, menos imprevisível no último terço. Mas tem experiência de Champions League, conhece o sistema de Rangnick como poucos e pode ser a surpresa tática que a Áustria precisa numa noite em que é claramente a equipa mais fraca no papel.

O esquema austríaco mantém-se em 4-2-3-1, com Nicolas Seiwald e Xaver Schlager no duplo pivô. David Alaba e Marko Arnautovic jogam com algum desconforto físico reportado após o empate 3-3 com a Argélia — condição que será monitorizada até à hora do jogo, embora ambos estejam previstos para o onze.

O que espera a Áustria em Los Angeles

A Espanha chega ao SoFi Stadium invicta no torneio, sem sofrer um golo na fase de grupos. Com Pedri, Rodri e Fabián Ruiz no meio-campo e Lamine Yamal a assinar atuações de cair o queixo, os homens de Luis de la Fuente são os favoritos mais claros de todos os 16 avos de final.

Sem Nico Williams (lesão no adutor) e sem Yeremy Pino (também lesionado), a Espanha chega com a ala esquerda enfraquecida — talvez a única janela real que a Áustria possa explorar. Rangnick é um especialista em encontrar buracos táticos onde outros não veem nada; a questão é se desta vez terá peças suficientes para o fazer.

O desafio é imenso. Mas a Áustria já foi capaz de aguentar a Argélia até ao 3-3 com uma exibição coletiva que surpreendeu toda a gente. Com Sabitzer a celebrar o centésimo cap e uma nação inteira a acreditar, nada está descartado — embora a diferença de qualidade seja considerável.