A revolução silenciosa
O Japão deixou de ser uma surpresa. Depois de décadas a formar jogadores tecnicamente refinados, mas sem impacto internacional, os Samurais Azuis finalmente concretizaram o salto: hoje, têm uma geração inteira a jogar na elite europeia. Real Sociedad, Brighton, Arsenal, Liverpool — os japoneses estão por toda a Europa. E isso mudou tudo.
Takefusa Kubo, Kaoru Mitoma, Takehiro Tomiyasu. Três nomes, três posições, um denominador comum: qualidade absoluta. Quando o Japão entra em campo no Mundial 2026, não traz apenas esperança — traz jogadores que enfrentam os melhores do mundo todas as semanas. E isso reflete-se em campo.
Takefusa Kubo: o craque que cresceu
Kubo foi apelidado de "Messi japonês" desde criança — uma etiqueta injusta e pesada. Mas, aos 24 anos, libertou-se dela. Já não é uma promessa: é um jogador feito. Na Real Sociedad, tornou-se peça fundamental, com golos, assistências e uma capacidade brutal de desequilibrar pela direita.
Na seleção japonesa, Kubo é o homem da criatividade. Joga habitualmente pelo lado direito, cortando para dentro e procurando o passe vertical ou o remate. Tem visão, técnica, e — talvez o mais importante — confiança. Já não hesita. Já não tem medo de assumir responsabilidades.
Hajime Moriyasu, selecionador japonês, confia nele para os momentos decisivos. E Kubo tem correspondido: marcou golos importantes na qualificação, deu assistências decisivas, e assumiu-se como líder ofensivo de uma seleção que, historicamente, dependia do coletivo.
Kaoru Mitoma: o raio da esquerda
Se Kubo é elegância, Mitoma é explosão. O extremo do Brighton é, possivelmente, o jogador mais imprevisível do plantel japonês. Velocidade brutal, dribles em espaços impossíveis, remates colocados — Mitoma tem tudo o que se pede a um extremo moderno.
A sua ascensão foi meteórica. Há três anos, jogava na Universidade de Tsukuba. Hoje, enfrenta as melhores defesas da Premier League — e vence-as. A adaptação ao futebol inglês, notoriamente físico, não foi problema: Mitoma combina técnica japonesa com resiliência física.
Na seleção, forma com Kubo uma dupla de extremos que assusta qualquer defesa. Enquanto Kubo procura o passe, Mitoma procura o espaço. E quando os dois estão inspirados, o Japão transforma-se numa máquina ofensiva.
Takehiro Tomiyasu: a solidez defensiva
Mas o Japão não é só ataque. Takehiro Tomiyasu, defesa do Arsenal, é a garantia defensiva. Versátil (joga central ou lateral-direito), forte no duelo, inteligente posicionalmente — Tomiyasu é o tipo de jogador que Mikel Arteta confia para marcar os melhores avançados do mundo.
E traz essa experiência para a seleção. Num plantel historicamente frágil defensivamente, Tomiyasu é a âncora. Ao seu lado, jogadores como Kou Itakura (Borussia Mönchengladbach) e Shogo Taniguchi garantem que o Japão já não é apenas tecnicamente bom — é também sólido.
A identidade coletiva
Mas o grande trunfo do Japão continua a ser o coletivo. Moriyasu mantém uma filosofia clara: posse de bola, pressing alto, transições rápidas. E a geração europeia encaixa perfeitamente nesse sistema. Porque jogam em ligas onde essas ideias são norma, não exceção.
Ao contrário de outras seleções asiáticas que dependem de um ou dois jogadores, o Japão tem profundidade. Se Kubo estiver apagado, Mitoma aparece. Se Mitoma for anulado, Junya Ito (Stade de Reims) entra. E se a defesa fraquejar, Tomiyasu segura.
O sonho é real
O Japão não esconde as ambições: quer chegar às meias-finais. É um objetivo arrojado, mas não delirante. Esta geração tem qualidade, tem experiência europeia, tem mentalidade vencedora. E, pela primeira vez, tem a sensação de que pode competir de igual para igual com qualquer adversário.
O Mundial 2026 dirá se a revolução japonesa é definitiva. Mas uma coisa é certa: os Samurais Azuis já não são outsiders simpáticos. São candidatos sérios. E a Europa sabe disso.
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