Dezasseis-avos de final: tudo ou nada em Dallas

Na noite de 3 de julho, no AT&T Stadium em Dallas, Austrália e Egito defrontam-se pela primeira vez numa fase eliminatória de um Campeonato do Mundo. A equação é simples: vencer ou ir para casa. Quem perder encerra a sua participação no México, Canadá e Estados Unidos; quem vencer segue para os oitavos de final, onde aguardam adversários de maior envergadura. É mata-mata puro — e o peso disso sentir-se-á em cada jogada.

A forma das duas seleções em chave de previsão

Os Socceroos chegam a Dallas com um percurso de grupo irregular. Tony Popovic — técnico australiano nomeado em setembro de 2024, ex-internacional com 58 internacionalizações — conseguiu uma vitória expressiva sobre a Turquia (2-0), mas viu a sua equipa ceder aos Estados Unidos (0-2) e empatar sem golos com o Paraguai. O pior sinal chega das enfermarias: Mathew Leckie saiu lesionado no jogo contra os EUA (rotura dos isquiotibiais) e Jacob Italiano também ficou fora com uma lesão no adutor — dois jogadores centrais nos planos do treinador para a fase a eliminar. Nestory Irankunda (20 anos, Watford) foi o raio de luz do grupo australiano, tornando-se o marcador mais jovem da história dos Socceroos num Mundial. Mat Ryan, guarda-redes e capitão no seu quarto Mundial, lidera uma defesa organizada que ainda não sofreu golos em situação de jogo limpo.

O Egito chega como a revelação da fase de grupos. Os Faraós, liderados por Hossam Hassan — o maior goleador de sempre da seleção egípcia (69 golos em 177 internacionalizações) — saíram do grupo G invictos: 1 vitória, 2 empates, 0 derrotas, com cinco golos marcados e três sofridos. A vitória sobre a Nova Zelândia (3-1) foi histórica — a primeira do Egito numa fase de grupos de um Mundial desde 1934. Estes dezasseis-avos de final são a fase mais adiantada que os Faraós alguma vez atingiram na era moderna do futebol mundial, o que confere à equipa uma motivação extra difícil de quantificar.

O duelo que decide o palpite

O nome é Mohamed Salah. O capitão e grande estrela do Egito saiu ao minuto 57 do jogo com o Irão com uma tensão nos isquiotibiais. A sua participação em Dallas está em dúvida — o treinador Hossam Hassan admitiu que a lesão «não deve demorar muito a resolver-se», mas a margem de tempo é curta. Mesmo condicionado, Salah muda o jogo: a sua presença força a defesa australiana a reorganizar-se por completo, abrindo espaços para Omar Marmoush (Manchester City), que ainda não marcou no torneio mas esteve perto em vários momentos. Um encontro de mata-mata pode ser o gatilho para a explosão do avançado egípcio.

Do lado australiano, o problema é a falta de profundidade ofensiva sem Leckie. Jackson Irvine (St. Pauli) e Cristian Volpato terão de elevar o nível criativo para incomodar uma defesa egípcia que, apesar das ausências no corredor esquerdo (Ahmed Fattouh provavelmente fora por lesão), mantém solidez. Acompanha o jogo em /jogos/australia-egipto.

O palpite da redação

O Egito é o favorito desta eliminatória. A maior qualidade individual (Salah, Marmoush), a melhor forma na fase de grupos e o peso histórico de uma equipa a escrever a sua própria história militam a favor dos Faraós. Resultado sugerido: Egito 2-1 Austrália, com os africanos a resolverem o encontro nos últimos vinte minutos, após um primeiro tempo equilibrado.

Nos mercados, numa ótica informativa: favorecemos o Egito no 1X2 (rankings FIFA praticamente iguais — Egito 26.º, Austrália 27.º —, mas forma superior nos grupos), ambas marcam em SIM (Austrália conseguiu marcar contra equipas organizadas e o Egito tem a defesa exposta no lado esquerdo) e mais de 2,5 golos totais. Confiança: média. A incógnita Salah e a compacidade defensiva australiana deixam margem para surpresa.

Cenário-surpresa

Se Salah não jogar ou estiver claramente limitado pela lesão, a Austrália tem argumentos para chegar aos penáltis. Os Socceroos são disciplinados, difíceis de bater e podem vencer por 1-0 ou arrastar o encontro para prolongamento — desfecho que não deve ser descartado num jogo tão equilibrado. Mat Ryan nos penáltis é sempre uma variável favorável para os australianos.

Mas a história empurra o Egito. Quem avançar enfrentará um adversário de nível superior nos oitavos — e os Faraós querem continuar a escrever o seu capítulo. Acompanha o caminho dos Faraós rumo ao título em /caminho-ate-final/egipto.