O capitão eterno
Luka Modrić não devia estar aqui. Aos 40 anos, depois de tudo o que conquistou — Bola de Ouro, cinco Champions, vice-campeão mundial —, podia ter-se despedido da Croácia há muito tempo. Mas não o fez. Porque Modrić não é apenas um jogador: é a alma da seleção croata. E enquanto tiver pernas para correr e cabeça para pensar, vai continuar.
O Mundial 2026 é o último capítulo. Modrić confirmou-o publicamente: depois deste torneio, a camisola 10 da Croácia ficará livre. É uma despedida anunciada, mas isso não torna o momento menos importante. Pelo contrário — torna-o histórico. Porque Modrić não vai apenas jogar: vai tentar escrever o final perfeito.
A geração que não desiste
Ao lado de Modrić estão outros veteranos que também estão a viver os últimos momentos com a seleção: Ivan Perišić (35 anos), Marcelo Brozović (33), Mateo Kovačić (32). Juntos, formam a espinha dorsal de uma Croácia que, contra todas as probabilidades, continua competitiva.
O segredo está na mentalidade. A Croácia nunca foi a seleção mais talentosa, nem a mais rica, nem a mais mediática. Mas foi sempre a mais resiliente. Nos Mundiais de 2018 e 2022, chegaram à final e às meias-finais — não por sorte, mas por caráter. E esse caráter continua vivo.
Zlatko Dalić: o arquiteto da resistência
O selecionador Zlatko Dalić construiu um sistema à volta de Modrić, mas que não depende exclusivamente dele. O esquema base é um 4-3-3 que se transforma em 4-1-4-1 defensivo, com Brozović como "6" e Modrić livre para criar. Quando a Croácia tem bola, Modrić dita o ritmo; quando não tem, recua e ajuda a recuperar.
É uma tática pragmática, mas eficaz. Dalić sabe que não pode pedir aos veteranos para correr 90 minutos ao mesmo ritmo dos jovens. Por isso, gere esforços, roda jogadores, e aposta na experiência para controlar momentos críticos. E tem funcionado: a Croácia raramente perde jogos por descontrolo — perde por detalhes.
A nova geração bate à porta
Mas há vida para além de Modrić. Joško Gvardiol, jovem defesa central do Manchester City, é já um dos melhores do mundo na sua posição. Dominik Livaković, guarda-redes do Fenerbahçe, foi herói nos penáltis do Mundial 2022 e continua em grande forma. E jogadores como Lovro Majer e Martin Baturina prometem dar continuidade à escola croata de médios técnicos e inteligentes.
A transição está em curso. Modrić sabe disso. E, em vez de bloquear a entrada dos jovens, tem-nos ajudado a crescer. Dentro do balneário croata, há respeito, há hierarquia, mas também há espaço para o futuro. E isso é raro.
O desafio final
A Croácia não é favorita ao título. Mas também nunca foi — e chegou a finais. O que a torna perigosa é precisamente isso: ninguém a leva a sério até ser tarde demais. E quando é tarde, já Modrić desmontou o meio-campo adversário, já Perišić marcou de cabeça, já Livaković defendeu o penálti decisivo.
Este Mundial 2026 será a despedida de Modrić, mas não será uma despedida passiva. Ele quer sair pela porta grande. Quer deixar a Croácia onde sempre a quis: entre as melhores do mundo. E se alguém pode fazer isso, é ele.
O adeus de um gigante
Quando Modrić pendurar as chuteiras da seleção, a Croácia perderá mais do que um jogador. Perderá o líder, o exemplo, a referência. Mas ficará o legado: uma geração que provou que, com trabalho, inteligência e coração, até os pequenos países podem derrotar gigantes. E isso, nenhuma despedida apaga.
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